Fazer um site em inglês e português exige três coisas: um endereço separado para cada idioma (por exemplo, oseusite.pt/pt/ e oseusite.pt/en/), as tags hreflang a indicar ao Google que as páginas são versões uma da outra, e traduções reais em vez de tradução automática. Traduzir o texto e deixar tudo no mesmo endereço é o erro mais comum, e faz com que o Google não consiga mostrar a versão certa a cada visitante.
Este guia explica as decisões pela ordem em que as tem de tomar — primeiro a estrutura, depois a tradução, por fim a manutenção. Começa, no entanto, por uma pergunta que a maioria dos guias evita: se o seu negócio precisa mesmo de um site em dois idiomas.
O que é um site bilingue?
Um site bilingue é um website que apresenta o mesmo conteúdo em dois idiomas, com um endereço próprio para cada versão e sinais técnicos que indicam aos motores de busca qual delas mostrar a cada visitante.
Há uma distinção que vale a pena fixar já, porque muda a configuração técnica:
- Um site multilingue distingue versões por idioma — português e inglês, no seu caso.
- Um site multi-regional distingue versões por país, mesmo dentro da mesma língua — português de Portugal e português do Brasil, por exemplo.
Se vende sobretudo em Portugal e quer também alcançar clientes estrangeiros, o seu caso é o primeiro, mas com um detalhe regional: a versão portuguesa deve identificar-se como pt-pt e não apenas pt. Sem isso, corre o risco de o Google tratar as suas páginas como intermutáveis com conteúdo em português do Brasil, que é muito mais abundante e escrito para outro mercado.
Precisa mesmo de um site em inglês?
Vale a pena ser franco: um site bilingue custa mais a fazer e, sobretudo, custa mais a manter. Cada artigo novo passa a ser dois artigos. Cada alteração de preços é feita duas vezes. Cada formulário tem de funcionar nas duas versões.
Compensa claramente quando os clientes estrangeiros já fazem parte do negócio ou são o objetivo declarado — alojamento local, restaurantes em zonas turísticas, imobiliária, clínicas e serviços dirigidos a residentes estrangeiros, empresas que exportam ou vendem software. Nestes casos, um site só em português está a filtrar clientes antes sequer de eles perceberem o que faz.
Compensa muito menos quando o negócio é local e serve apenas portugueses — um ginásio de bairro, uma oficina, uma empresa que trabalha só com clientes nacionais. Nessas situações, o esforço rende mais aplicado a melhorar o site que já tem.
Se decidir avançar, a primeira decisão é também a mais difícil de mudar depois.
Como fazer um site em inglês e português: 6 passos
1. Escolha a estrutura de endereços
Existem três formas de separar os dois idiomas, e a diferença entre elas afeta o SEO durante anos.
| Estrutura | Exemplo | Vantagem | Desvantagem |
|---|---|---|---|
| Subdiretório | oseusite.pt/en/ | Toda a autoridade fica num único domínio | Exige configuração no site |
| Subdomínio | en.oseusite.pt | Fácil de separar tecnicamente | O Google trata-o quase como outro site |
| Domínio separado | oseusite.com | Máxima separação por mercado | Começa do zero em autoridade e custa o dobro a manter |
Para uma pequena empresa portuguesa, o subdiretório é quase sempre a escolha certa. Todo o trabalho de SEO — ligações que recebe, artigos que publica, confiança acumulada — reforça um só domínio em vez de se dividir por dois. Domínios separados fazem sentido para empresas com equipas e orçamentos distintos por país, o que raramente é o caso de quem está a ler isto.
2. Configure as tags hreflang
O hreflang é o atributo que diz ao Google que duas páginas são a mesma coisa em idiomas diferentes. Sem ele, o Google vê duas páginas parecidas e escolhe uma, muitas vezes a errada — o cliente inglês recebe a página portuguesa e sai.
Na secção <head> de cada página, ambas as versões devem declarar-se mutuamente, incluindo a si próprias:
<link rel="alternate" hreflang="pt-pt" href="https://oseusite.pt/pt/servicos" />
<link rel="alternate" hreflang="en" href="https://oseusite.pt/en/services" />
<link rel="alternate" hreflang="x-default" href="https://oseusite.pt/pt/servicos" />
Três regras que evitam a maioria dos problemas: a declaração tem de ser recíproca (se a página portuguesa aponta para a inglesa, a inglesa tem de apontar de volta), cada página deve incluir-se a si mesma na lista, e o x-default indica que versão mostrar a quem não corresponde a nenhum idioma declarado.
Se o site for feito em WordPress, plugins como o WPML ou o Polylang tratam disto automaticamente. Em sites feitos em Next.js, o encaminhamento por idioma já faz parte da própria ferramenta.
3. Traduza a sério — não com tradução automática
A tradução automática indexada é a forma mais rápida de estragar um site bilingue. O texto sai compreensível mas estranho, transmite amadorismo exatamente ao cliente estrangeiro que estava a tentar conquistar, e o Google trata há muito conteúdo traduzido automaticamente sem revisão como conteúdo de baixa qualidade.
Uma abordagem realista, sem orçamento de agência: use tradução automática como primeiro rascunho e mande rever por alguém que fale inglês a sério, de preferência com contexto do setor. Comece pelas páginas que geram dinheiro — início, serviços, preços, contactos — e deixe o blog para depois. Um site com cinco páginas bem traduzidas em inglês vale mais do que cinquenta traduzidas à pressa.
Há ainda um ponto que quase toda a gente falha: as palavras-chave não se traduzem literalmente. O termo que um português escreve no Google não é a tradução direta do que um inglês escreve. Vale a pena fazer uma pesquisa de palavras-chave separada para a versão inglesa, ou está a otimizar para expressões que ninguém procura.
4. Traduza também o que não se vê
Uma versão inglesa fica meia feita quando o texto está traduzido mas os elementos à volta continuam em português. Verifique tudo isto:
- Menus, botões e rodapé
- Campos de formulário, mensagens de erro e emails automáticos de confirmação
- Títulos SEO e meta descriptions de cada página
- Textos alternativos das imagens
- Endereços das páginas (
/en/services, não/en/servicos) - Política de privacidade e termos, se o site recolher dados
Os títulos SEO e as meta descriptions são os que mais frequentemente ficam esquecidos, e são precisamente aquilo que o cliente inglês vê nos resultados do Google antes de decidir se clica. Como esse tipo de coerência entre o que se promete e o que se entrega é parte do que faz o que faz um site de qualidade, a versão inglesa não pode ser tratada como um anexo da portuguesa.
Uma última regra, esta vinda diretamente do Google: use um idioma por página. Não misture blocos em português e em inglês na mesma página nem coloque as traduções lado a lado, porque isso dificulta o reconhecimento do idioma da página.
5. Ponha um seletor de idioma visível — e não redirecione automaticamente
O seletor de idioma deve estar no cabeçalho, visível em todas as páginas e em todos os tamanhos de ecrã. Duas boas práticas simples: escreva o nome do idioma ("Português" / "English") em vez de usar bandeiras, porque bandeiras representam países e não línguas, e faça com que a troca leve o visitante à mesma página na outra versão, não à página inicial.
Evite redirecionar automaticamente com base na localização do visitante. Um português a viajar no estrangeiro acaba preso na versão inglesa, e um estrangeiro residente em Portugal na versão portuguesa. Detetar o idioma do browser para sugerir a outra versão é aceitável; forçar a mudança não é.
6. Mantenha as duas versões sincronizadas
Um site bilingue degrada-se sozinho. Passados seis meses, a versão portuguesa tem preços novos e três artigos recentes, e a inglesa continua igual ao dia do lançamento — o que dá ao cliente estrangeiro a impressão de um negócio parado.
Defina uma regra desde o início: nada é publicado até estar pronto nas duas versões. Se não conseguir manter esse ritmo no blog, mantenha bilingues apenas as páginas comerciais e assuma o blog só em português. É uma decisão defensável; conteúdo desatualizado em inglês não é. Esta sincronização passa a fazer parte da rotina normal de manutenção, ao lado de tudo o resto que há a tratar depois de se ter um site.
Quanto trabalho dá manter um site em dois idiomas
Na construção, um site bilingue não custa o dobro de um site normal — a estrutura, o design e o desenvolvimento fazem-se uma vez só. O que acresce é o conteúdo: a tradução das páginas e a configuração do hreflang e do encaminhamento por idioma.
O custo verdadeiro é contínuo e mede-se em tempo, não em euros. Cada página nova, cada campanha, cada alteração de preços passa a ter uma segunda tarefa associada. É por isso que a decisão do idioma deve ser tomada antes de encomendar o site e não a meio: acrescentar uma versão inglesa a um site que não foi pensado para isso costuma sair mais caro do que tê-la incluído de raiz. Se está nesta fase, vale a pena ver primeiro quanto custa fazer um site profissional em Portugal e decidir o âmbito com esta variável já em cima da mesa.
Erros comuns a evitar
- Tradução automática publicada sem revisão — prejudica a credibilidade e o posicionamento.
- hreflang sem reciprocidade — se apenas uma das páginas declara a outra, o Google ignora a indicação.
- Só metade do site traduzido — o visitante inglês clica num link e cai numa página em português.
- Idiomas misturados na mesma página — dificulta o reconhecimento do idioma pelos motores de busca.
- Redirecionamento automático por localização — prende o visitante numa versão que não escolheu.
- Bandeiras em vez de nomes de idiomas — um cliente brasileiro ou angolano não se revê na bandeira portuguesa.
Como a Fazum ajuda
Na Fazum construímos sites em Next.js, uma tecnologia em que o encaminhamento por idioma faz parte da própria ferramenta em vez de depender de um plugin acrescentado por cima. Na prática, isso significa endereços limpos por idioma, hreflang configurado corretamente desde o primeiro dia e as duas versões igualmente rápidas — o nosso próprio site funciona exatamente assim.
Ajudamos também a decidir o âmbito, que costuma ser a parte mais útil: que páginas fazem mesmo sentido em inglês, o que deixar só em português e como organizar o conteúdo para que a manutenção não se torne um peso daqui a um ano. Peça um orçamento gratuito e sem compromisso — respondemos em 24 horas.
Perguntas frequentes
Posso usar o Google Tradutor no meu site?
Como ferramenta de apoio ao visitante, sim. Como forma de criar a versão inglesa do site, não. As páginas traduzidas dessa maneira geralmente não são indexadas como conteúdo próprio e, quando são, a qualidade do texto prejudica a imagem do negócio junto do cliente que queria captar.
É melhor ter oseusite.pt/en ou um domínio .com separado?
Para a maioria das pequenas empresas, o subdiretório /en. Concentra toda a autoridade num só domínio, custa menos a manter e é mais simples de configurar. Domínios separados só compensam quando existem equipas e estratégias comerciais distintas por mercado.
Preciso de traduzir o blog todo?
Não. As páginas comerciais — início, serviços, preços, contactos — devem estar sempre nas duas versões. No blog, é preferível traduzir bem os artigos mais procurados do que traduzir todos superficialmente, sobretudo porque os temas que interessam a um leitor português e a um estrangeiro nem sempre coincidem.
Ter o mesmo conteúdo em dois idiomas conta como conteúdo duplicado?
Não. Conteúdo traduzido para outro idioma não é considerado duplicado, e é precisamente para isso que serve o hreflang: indicar ao Google que as páginas são versões equivalentes e qual mostrar a cada pesquisa. O problema de duplicação surge quando existem duas versões no mesmo idioma sem qualquer sinal que as distinga.
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